Nesta última semana, o allowance veio caindo cerca de €1,00, entretanto, apesar da resistência para ultrapassar a linha dos €21,00 devido principalmente ao tímido interesse das companhias energéticas pela commodity em razão das condições do tempo pouco motivadoras à intensa geração de energia a partir de fontes fósseis (abundância de vento e chuva e temperaturas acima do estimado), uma subida repentina no preço do óleo ontem, puxou a cotação do EUA a até €21,40. Apesar dos movimentos mais sutis, o CER com entrega garantida em dezembro-2008 vem acompanhando a oscilação do allowance; tendo caído cerca de €0,70 e também recuperado ontem com fechamento em € 15,50.Resumindo, o mercado continua meio sem rumo: após a forte queda em janeiro houve certa recuperação, mas não até os níveis do último trimestre do ano passado. Sobre a perspectiva no longo prazo, escrevemos na sessão abaixo.
Preços de créditos de carbono (€/tCO2e)
Referência
05Mar
Dez07
EUA Dez08
21,24
22,41
CER Dez08
15,50
16,90
Fonte: European Climate Exchange, ReutersMDL – devemos ser otimistas ou nao com o futuro?Na semana passada a Point Carbon, agência de notícias e análise do mercado de carbono, anunciou suas estimativas para o mercado em 2008. Segundo a análise, o crescimento deverá ser de 2.7 bilhões de toneladas, ou EUR 52 bilhões em 2007, para 4.2 bilhões de toneladas, ou EUR 61 bilhões em 2008.A fatia de MDL deste mercado deve continuar crescendo, para 25%, ou EUR 15 bilhões. Boas notícias para quem está desenvolvendo um projeto de MDL e um incentivo para quem está considerando entrar neste mercado. Apesar dessas expectativas de crescimento continuado dos mercados, as análises para pós-2012 têm deixado certo grau de confusão no mercado. Afinal, o plano anunciado pela Comissão Européia de reduções significativas de emissões dos 27 países, trará boas notícias para a demanda de CER’s no futuro, sim ou não? E como os resultados das negociações globais, no âmbito da ONU/UNFCCC podem influenciar o mercado? As opiniões dos analistas não têm sido unânimes. Vamos analisar a situação para tentar entender melhor.Por um lado, as tendências são claras. A COP em Bali, em dezembro do ano passado, fechou um compromisso histórico entre 190 países, para se chegar, até dezembro de 2009, a um acordo global sobre as reduções de emissões no período 2013-2020. Os EUA devem finalmente assumir uma meta real. Também devem continuar pressionando para que os maiores emissores entre os países em desenvolvimento (os chamados países BRIC,acrescentando provavelmente o México e a África do Sul) assumam metas também. Logo depois, em fevereiro, a Europa lançou seu plano, unilateralmente se comprometendo com metas de 20% de redução, podendo ser aumentado até 30%, dependendo do resultado das negociações globais. Ou seja, estamos convergindo claramente para um mundo de baixas emissões.Por outro lado, até estas tendências se traduzirem em sinais claramente positivos para os mercados de crédito de carbono, deve-se passar bastante tempo ainda. Mercados precisam de certezas para operar numa maneira eficiente. Compradores precisam saber quanto serão as metas de reduções e como serão as regras. Por enquanto as empresas não sabem isso e subsequentemente, poucas têm interesse em comprar allowances ou créditos de carbono para os prazos além de 2012. A maior demanda ainda vem do Banco Mundial, e mesmo assim por volumes muito modestos. A mesma coisa se aplica para as regras de importação de MDL. AEuropa ainda tem que deixar a porta aberta para os vários cenários possíveis. Entre os dois extremos, o de ter um acordo global para um mercado unificado de carbono e nenhum acordo global, ainda existem muitas alternativas. O que acontece se os EUA assumirem uma meta agressiva de reduções, mas não aceitarem o MDL como forma de reduzir emissões?Obviamente temos mais perguntas do que respostas. Mas podemos resumir que a tendência é claramente para uma redução cada vez mais acentuada de emissões, de cada vez mais países e setores. A tendência de crescimento de importância dos mercados como instrumento de alcançar estas reduções também continua. Falta, no entanto, muito ainda para definir regras claras, por prazos longos, para conseguir um funcionamento perfeito destes mercados. Mas somos otimistas: se o mercado de crédito de carbono hoje já movimenta um volume significativo EUR 15 bilhões, o futuro deve ver um múltiplo disso, numa forma ou outra.
Fonte: Banco Real/ABN Amro
segunda-feira, 24 de março de 2008
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